O prefeito José Crespo anunciou na tarde desta terça-feira (28), durante a coletiva sobre a regulamentação do transporte por aplicativos na cidade, que o início das obras do BRT Sorocaba será no dia 22 de setembro. O anúncio ocorre após 6 anos da apresentação do projeto, e sua conclusão está prevista para setembro de 2020, em meio ao período eleitoral das eleições municipais.
Em janeiro deste ano, quando a Prefeitura assinou convênio com o BRT Sorocaba, a informação inicial era de que as obras seriam iniciadas em julho, com duração prevista de 18 meses. De acordo com a Urbes, porém, as obras agora devem durar 24 meses, o que deve coincidir com a disputa eleitoral para a Prefeitura Municipal em 2020.
Em entrevista ao jornal Z Norte, o prefeito José Crespo (DEM) calculou que o resultado final das obras será satisfatório para a população. “Na hora que você vai colocar o canteiro de obras, haverá reclamação. Para chegar a borboleta, precisa ser ‘taturana’ anteriormente. Mas quando a obra estiver pronta, muda tudo e há o serviço de qualidade, que vai valorizar toda aquela região”, afirmou o prefeito.
O Consórcio BRT Sorocaba vai operar o sistema por 20 anos, com um custo estimado em R$ 2,4 bilhões, nas linhas norte-sul e leste-oeste. Haverá subvenções, inclusive com investimentos do Governo Federal. Serão R$ 127,2 milhões em recursos do Ministério das Cidades; R$ 6,7 milhões em contrapartida da Prefeitura; R$ 65 milhões em recursos da concessionária que assumiu o contrato.
O BRT Sorocaba será o responsável pelas obras do projeto, que incluem 68 km de vias, três terminais integrados, quatro estações de integração e uma garagem, que tem sido motivo de polêmica.
Histórico de atrasos e ameaças
A história da implantação do BRT Sorocaba começou em 2012, ainda no governo Vitor Lippi (PSDB). Em dezembro daquele ano, o projeto foi apresentado para o Ministério das Cidades, que liberou os recursos para o financiamento das obras viárias necessárias. A Prefeitura publicou os editais de chamamento referentes ao BRTem 27 de dezembro de 2013, já no governo de Antonio Carlos Pannunzio (PSDB).
Em janeiro de 2015, a Prefeitura fez o anúncio oficial de início das obras, para agosto do mesmo ano. O procedimento dependeria do processo licitatório, que foi questionado junto ao Tribunal de Contas e só teve sua conclusão em 2016, durante o período eleitoral daquele ano.
Durante a campanha política de 2016, o então candidato José Crespo (DEM) afirmou ser contrário, em diversas oportunidades, ao projeto do BRT de Pannunzio. Em entrevista ao Jornal Z Norte, o hoje prefeito de Sorocaba informou que não havia viabilidade para instalação do projeto em sua totalidade e que apostaria no VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) como alternativa ao transporte na cidade.
Ainda durante o período eleitoral, o prefeito Antonio Carlos Pannunzio afirmou, em entrevista coletiva em que o Jornal Z Norte esteve presente, que deixaria para o prefeito eleito a decisão de assinar ou não o contrato do BRT.
Em 11 de maio de 2017, a Prefeitura anunciou publicamente, através do então secretário de Mobilidade e Acessibilidade e presidente da Urbes – Trânsito e Transportes, Wilson Unterkircher Filho, a desistência de implantar o BRT, para “evitar desperdício de recursos”.
Segundo o prefeito, houve uma readequação nos valores. Na prática, o investimento total em infraestrutura passou de R$ 264 milhões para R$ 136 milhões por parte do poder público, mais R$ 65 milhões da concessionária e o restante sendo incorporado ao valor total do contrato, de R$ 2,4 bilhões, segundo informações divulgadas pela própria Prefeitura. A adequação levou um ano e 15 dias para ser feita, com o contrato sendo assinado em 15 de janeiro de 2018.
Como será o BRT
O BRT Sorocaba contará com corredores e faixas exclusivas para tráfego dos ônibus, fazendo com que as linhas tenham maior velocidade comercial. A frota será, de acordo com o projeto, substituída por veículos novos e mais confortáveis, com ar condicionado e Wifi. Serão 125 ônibus novos, com portas em ambos os lados, as da esquerda do veículo terão a mesma altura das plataformas, sem a necessidade dos passageiros descerem ou subirem escadas. As estações para a espera serão tubulares, com ar condicionado e Wifi e o pagamento da tarifa será pago pelo passageiro no ato de entrar na estação, dando mais agilidade para o embarque nos ônibus.
Ao longo do corredor BRT os pontos de ônibus serão substituídos por estações no canteiro central, garantindo a acessibilidade e segurança. O pavimento, a sinalização e os semáforos serão substituídos e adequados ao sistema. Serão construídos três terminais de bairros para a integração entre as linhas e maior conforto na espera do ônibus.
As obras iniciarão pelo Corredor BRT Itavuvu, que vai sair do bairro Vitória Régia até o Terminal Santo Antonio. Serão 5,5 quilômetros de corredor, um terminal no bairro Vitória Régia, dez estações BRT e duas estações de integração. O corredor estrutural H. Matarazzo terá 1,9 km e cinco abrigos. O corredor estrutural Comendador Oeterer terá 1,7km e seis abrigos.
O corredor estrutural centro vai ligar o Terminal São Paulo ao Terminal Santo Antonio, com 17 abrigos. O corredor estrutural sul terá 4 km e 28 abrigos. No corredor estrutural leste serão 5,9 km e 28 abrigos. O corredor BRT Ipanema terá 6,2 km, um terminal BRT, nove estações BRT e uma estação de integração. O corredor estrutural General Osório terá 2,2 km e 13 abrigos e o corredor BRT Oeste terá cinco quilômetros de extensão, um terminal BRT, nove estações BRT e uma estação de integração.
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